Por que sua empresa ainda não opera cripto — e o que está mudando em 2026
Jussara HassanChief Executive Officer, SuitCoin · 13 de março de 2026 · 6 min de leitura
Em 2022, a pergunta que CFOs me faziam era: "cripto é seguro?". Em 2024, mudou para "quando faz sentido para a gente?". Em 2026, a conversa mudou de novo: empresas que ainda não operam cripto estão cada vez mais sendo perguntadas pelos seus concorrentes, parceiros e fornecedores por que não operam.
A hesitação tem razões legítimas — e algumas que já deixaram de ser legítimas. Vale entender a diferença.
"A maioria das empresas não está evitando cripto por análise. Está evitando por inércia — e inércia tem custo."
As razões legítimas para não operar ainda
Nem toda hesitação é infundada. Existem situações em que a não adoção de cripto é uma decisão racional:
Fornecedores e clientes ainda não aceitam: se nenhum dos seus parceiros comerciais relevantes usa cripto, a fricção de adoção supera o benefício no curto prazo
Departamento jurídico e fiscal ainda está mapeando: há questões tributárias sobre ganho de capital em cripto que precisam de orientação específica para cada estrutura societária
Conselho ainda não foi convencido: decisões de tesouraria com novos instrumentos geralmente precisam de aprovação formal — e isso tem processo
Não existe caso de uso claro: cripto como instrumento faz sentido quando há fricção concreta a eliminar — câmbio caro, remessa lenta, hedge necessário. Se não existe esse problema, não existe solução para buscar
As razões que já deixaram de ser válidas
2026 marca um ponto de inflexão: cripto deixou de ser questão de tecnologia e passou a ser questão de tesouraria.
"Não é regulado." É — desde a Lei nº 14.478/2022 e a Resolução Conjunta nº 13/2024. O Banco Central do Brasil supervisiona e autoriza as prestadoras de serviços de ativos virtuais. Operar com uma SPSAV em processo de autorização tem respaldo jurídico claro.
"É muito volátil." BTC é volátil. USDC e USDT não são — são stablecoins lastreadas em dólar, auditadas e com paridade 1:1. Para remessas internacionais e hedge cambial, o instrumento relevante não é BTC.
"Nossa contabilidade não sabe registrar." O CFC (Conselho Federal de Contabilidade) e a Receita Federal já têm orientações sobre registro contábil e fiscal de criptoativos. Não é trivial, mas é resolvível — e está documentado.
"É coisa de especulação, não de empresa séria." Esse argumento não sobrevive a uma análise de quem está usando cripto no Brasil hoje: exportadores usando stablecoins para reduzir custo de câmbio, importadores pagando fornecedores em USDC em horas em vez de dias, tesourarias usando BTC como reserva de valor. São empresas sérias com problemas financeiros reais.
O que mudou em 2026
Três fatores tornaram a adoção mais tangível este ano: regulação consolidada, stablecoins mais aceitas por fornecedores internacionais e infraestrutura de intermediação regulada disponível no Brasil.
O caminho para empresas que querem começar com segurança
01
Identifique o caso de usoRemessa internacional cara? Pagamento de fornecedor que aceita USDC? Hedge cambial? O caso de uso define o ativo, o volume e a urgência.
02
Consulte jurídico e fiscal antesTratamento tributário, documentação de operações e impacto no balanço precisam estar mapeados. É trabalho de uma semana, não de um trimestre.
03
Escolha uma OTC reguladaNão é o momento de testar plataformas informais. O primeiro contato com cripto institucional deve ser com uma intermediadora que documente, controle e responda formalmente.
04
Comece pequeno, aprenda rápidoUma operação piloto de volume menor permite que a equipe entenda o processo sem pressão. A segunda operação já é mais rápida e confiante.
Perspectiva
A janela de vantagem competitiva para quem adota cripto como instrumento financeiro ainda está aberta — mas se fecha à medida que o mercado se normaliza. Quem estrutura o processo agora terá menos fricção quando o volume aumentar.
Quer operar cripto com uma OTC regulada?
Atendimento dedicado, processo transparente e liquidação imediata em BTC, USDC e USDT para empresas.
Jussara HassanChief Executive Officer · SuitCoin
Executiva sênior com carreira consolidada em estratégia, serviços financeiros e ativos digitais. É CEO da SuitCoin, empresa brasileira de intermediação institucional de criptoativos estruturada para operar sob o marco regulatório do Banco Central. Lidera a estratégia comercial e parcerias com bancos, mesas OTC e provedores de liquidez, com foco em operações via stablecoins e FX cripto. Escreve sobre o que muda — de verdade — para empresas que adotam cripto como instrumento financeiro.